terça-feira, 1 de setembro de 2009

no fundo do poço... e cavando

"Um escritor e a sua dor partilhavam dentadas de um texto, mordia o escritor a questão, enquanto a dor mastigava o porquê. Por quê? Porque antes de engolir, convém mastigar e digerir.
Um escritor e a sua dor cavavam fundo e incansavelmente, enterrando-se num buraco do qual não sabiam ao certo, como no passado, se conseguiriam sair."


Não sei há quanto tempo redigi isto. Séculos, talvez. Mas mais do que em qualquer outra circunstância, isto volta a fazer sentido. As personagens se modificaram, mas a situação se mimetizou, pondo em evidência aquela qualquer faceta masoquista de mim que parece sempre apreciar.
Sei de antemão que irei sofrer, mas por haver muita piada nas peças que a vida nos prega, que pincelam com cores diversas os dias enevoados e maçantes, enchendo o coração de alegria, esperança e nos dando forças para enfrentar "todos os outros dias", deixo-me levar. Quando dou por mim, já não há como esquivar da bigorna de sonhos estilhaçados em queda livre que vem de encontro à minha cabeça.
Acho que prefiro aqueles dias em que não se passa rigorosamente nada, em que o tédio se apodera de nós e o cansaço da monotonia nos vence, aos dias (quase) perfeitos. Ao menos, o nevoeiro indissipável que adoece a alma, impede que eu me iluda e caia nos mesmos erros do passado.

4 comentários:

Rodrigo Mutante disse...

belo blog, gostei ;)

Wagner Lopes disse...

tenho me sentido assim tb

Brunella disse...

nossa...nao consigo fazer um comentario quando o texto ja diz tudo! enfim...gostei!

Brunella disse...

sara, se vc ja nao conhece, pega essa musica ai
Emiliana Torrini - If you go away
huahuahuahuhuahua beeeeeeem melancolica...enfim...eu curto!