terça-feira, 30 de março de 2010

u.u

Tenho andado por aí à deriva, sem saber direito o que fazer. As estradas a minha volta são caminhos sinuosos que conduzem a um desconhecido que me provoca um pavor inexprimível. Está escuro, mais do que outrora, como se a puta da vida tivesse interposto uma superfície opaca entre meus olhos e o resto do mundo, permitindo que eu enxergue apenas os vultos e nunca tenha percepção da coisa como um todo.
E cada um desses caminhos parece um beco sem saída disforme e assombrado, onde tudo range e é arrepiado. E tenho medo de dar um passo a frente, porque tenho medo de dar outros passos em falso. E porque seria mais do que estúpido voltar atrás. E porque...
Minha cabeça está oca, quase tão vazia como a minha alma desde que... acho que desde sempre ou pelo menos desde onde a minha memória consegue alcançar. Não sei qual direção tomar, há muito perdi o sentido.
E o mundo, trocista, afasta-me, isola-me, parece querer pôr-me à prova sozinha. Talvez queira saber se tenho força para lidar com isto tudo sem ajuda. Não sei se realmente tenho. Gostaria sinceramente de ter. Muito embora eu tenha esta mania retardada de colocar o peso do mundo nos meus ombros e suportá-lo estoicamente.
Bom mesmo seria acordar agora em outro canto do mundo. Gritar em um campo deserto até me faltar o ar. Mergulhar num mar turbulento e impiedosamente frio. Fazer bungee jumping. Tudo para acordar desse torpor e me certificar de que ainda estou viva. Em meio a tantas incertezas, essa é uma coisa que sei que quero, sei que preciso me certificar de que ainda há vida por aqui e cada vez mais ganho consciência desse meu desejo inabalável.
Nada tem feito muito sentido, talvez tudo se resuma a mais um traço obscuro da minha personalidade com tendência para a melancolia. E aqui estou, na incompreensível encruzilhada de sentimentos que sempre fui, idiotamente repetindo o discurso de tempos atrás... já ficou chato.

3 comentários:

matheus novaes disse...

"E se achar que falo escuro não mo tache, porque o tempo anda carregado; acenda uma candeia no entendimento..." Não tem superfície opaca, o mundo que anda assim mesmo. Mas passa, tudo passa.

Petrus disse...

Um pensamento que por mais que pareça filosofia de botequim, não é:
O que seria da felicidade sem a tristesa? A felicidade é um estado e não uma condição. Alguém pode até estar feliz, mas não SER feliz. Hoje a porra do mandato presidencial é a melancolia, mas quem saiba amanhã não irá imperar algo melhor? A vida, no final das contas, é cheia de golpes de estado.

Silvas disse...

Já li um dia que o Sr. dos Deuses é o Deus do Acaso, nada acontece em vão p tudo existe uma hora certa, exatamente quando não imaginamos algo nos aparece ou some!!..

belas palavras as suas!... Abraço!=*