segunda-feira, 29 de outubro de 2007

bons amigos

A pia não parava de pingar. Eu estava ali parada olhando pras minhas folhas cheias de números, tentando me concentrar. Olhava a pia, a borrachinha deve estar gasta. Eu tenho uma prova de cálculo amanhã, porra! A pia pingando com o intuito de não me deixar estudar. Eu sei Lucas, eu sei muito bem o quê você está dizendo, mas ainda não estou bêbada, isso não é dia de estar bêbada, eu tenho dias definidos pra me embriagar, você sabe!
O problema desse mundo são esses amores platônicos, essas paixões enrustidas, não correspondidas, a vida seria muito mais fácil se a gente gostasse de quem estivesse à nossa frente nos dando de presente o coração, ao invés disso, a gente vai procurar sarna pra se coçar, vai se apaixonar pelo primeiro panchorrão que usa bermudinha florida.
Sim, eu sei que você disse que eu iria me foder com aquele idiota mas eu não gostava dele mesmo, eu? Não gosto de ninguém atualmente, cê tá cansado de saber disso! Tá bom, não precisa dedicar à mim a sua psicologia barata! Oh não, desculpe-me! Não quis ser estúpida. Tudo bem, eu sou estúpida o tempo todo. Mas é muito amor desperdiçado à toa, sabe Lucas? Bom é que cê me entende. Eu sei guardar segredo porra, pode me contar, CÊ FEZ O QUÊ COM ELA?!
Aquele cara que só consegue te enxergar como um ombro amigo assexuado acaba pra mim com um gostinho de não-quero-mais de soco na alma. Será mesmo que o Lucas não percebe que eu tenho boca, língua e peito? Eu deveria avisá-lo que eu tenho outras funções mais interessantes, porque eu tô cansada de ouvir cada detalhe sórdido e sacana das aventuras amorosas dele com Paulas, Marianas, Carlas, Nathálias, Moniques, Laíses, Marcelas, essas vadias batizadas com esses nomezinhos de classe média aspirante à burguesa. Isso é que dá virar confidente!
Essas paixões são despertadas sem nenhum motivo aparente, sem explicação alguma, elas são o fruto de sentimentos negligenciados e não adianta querer controlar porque cérebro e coração nunca irão falar a mesma língua.
E eu já nem me lembro sobre o que comecei a escrever. Ah, sobre a pia pingando e a borrachinha gasta. O amor não passa de uma borrachinha gasta que não deixa a pia parar de pingar, um defeito, um vírus na matrix, aquela bosta que atravanca o bom funcionamento das coisas.
Sim, já tô falando um pouco enrolado. Não! Não me leve embora! Essa cerveja tá uma maravilha. Tá tudo sob controle. Mas ainda bem que você existe pra agüentar minhas chatices de bêbada, sabe. Eu te considero pra caralho Lucas, cê é meu irmão, cara.
Lucas! Esse desgraçado ainda vai acabar com a minha vida.

Um comentário:

D. Navarro disse...

Resume a vida querida. precisod e um rivotril

=*