terça-feira, 6 de novembro de 2007

blá blá blá

Ontem eu resolvi marcar um tempo naquelas mesinhas isoladas do McDonald's perto do estacionamento, é o meu lugar favorito pra pensar, pra coçar e até pra fazer render alguma narrativa sobre meu cotidiano monótono.
Ao meu lado tinha um trio muito animado, na outra mesa ao lado da deles havia um casal, aliás, um casal que eu até conheço, não o suficiente pra dizer "oi amigos!", estamos longe disso, apenas sei quem eles são e vice-versa, e não nos cumprimentamos.
Quando eu vou pra lá é só pra pensar em coisas bobas, porque sempre escrevo uma idiotice qualquer depois, mas só funciona se eu não tiver o raciocínio interrompido, obviamente.
O trio saiu tagarelando qualquer bobagem, e o casal continuou se atracando e conversando as idiotices de casais.
blá blá blá
blá blá blá
blá blá blá
Eu, a minha fanta uva e meu cigarro saturados dos blá blá blá, que ecoavam por todo o perímetro fazendo a trilha sonora, como um disco antigo empoeirado que você não distingue porra nenhuma do som, e essa era a merda da minha trilha sonora!
Eles queriam se fazer audíveis, como todo bom casal que conversa esses blá blá blá.
Alguns casais gostam de platéia, mas não sou o tipo de audiência adequada, acho um saco conversa de casais fofinhos, é um blá blá blá irritantemente meloso que nem me dou ao trabalho de ouvir direito, e olha que eu adoro reparar nos assuntos - pra rir depois, é claro -, então eles se exibiam em vão.
O silêncio repentino no meio do blá blá blá siginificava beijo, e isso não rola só com eles não, é em todo lugar, com todo mundo. Se um casal conversa e repentinamente tudo pára, pode conferir: já estão embolados, prestes a engolirem um ao outro.
Os silêncios daqueles eram freqüentes, logo, eles se beijavam quase compulsivamente. Coitados! Talvez nunca tivessem visto boca, língua e dentes na vida.
Se continuassem e fossem se empolgando iam acabar nus ali mesmo e rolando pelo chão, porque casais são interessadíssimos na idéia de inovar, que significa, na maioria das vezes, fazer sexo em lugares que não sejam um quarto.
Pra falar a verdade se eles fodessem ali do meu lado mesmo, se a garota urrasse feito louca, se o garoto esguichasse 100 litros de endorfina até pela orelha, talvez eu nem desse tamanha importância, mas eu sairia fora logo porque vouyerismo nunca foi o meu forte.
blá blá blá
blá blá blá
blá blá blá
Meu estômago embrulhou legal, deu 5 loopins e então percebi que se eu ficasse ali mais 10 segundos eu ia vomitar até o meu pâncreas. Eram 20:40 e, sem hesitar, eu juntei tudo, caderno, bolsa, latinha, celular. Juntei as coisas sem erguer o olhar uma vez sequer, pra dar a entender que eu realmente não dava a mínima e não estava fazendo tipo, porque sou uma escrota indiferente às pessoas mesmo.
Só Deus sabe o que rolou lá depois que eu saí!

Um comentário:

D. Navarro disse...

uHAUahuA Essa é você demais!
muito legal!