quinta-feira, 12 de julho de 2007

desventuras amorosas

Despertei ainda grogue e com uma dor de cabeça terrível que fez com que eu desejasse evaporar da face da terra. Olhei para o lado e ele já abria um largo sorriso, foi quando me dei conta da cagada que eu havia arquitetado na noite anterior, a cagada do ano. Decidi-me a mais estúpida das criaturas e então contive-me apenas à um bom dia mal humorado que ele aceitou pacificamente. Tudo tinha cheiro de cigarro, minhas roupas, as roupas dele e principalmente meu cabelo que, à aquela hora, era um sebo só, minha calça estava imunda, com uma mancha rósea bem na altura da coxa, proveniente de algum dos drinques que eu tomara. Levantei-me logo e cheguei na janela, na esperança de que a brisa matinal purificasse meus pulmões lacerados pela nicotina em excesso, e rezei para que ele virasse uma pizza, uma daquelas pizzas adormecidas que você come quando mamãe não está em casa para oferecer um bom e digno desjejum. Sentia uma necessidade vital de tomar uma xícara de café bem forte e larguei-o ali mesmo, desnudo, indefeso, frágil e apaixonado. Deus meu! Precisava me livrar daquilo o quanto antes!
Quando já passava o café, senti um abraço na altura da cintura e aborreci-me ligeiramente, afastei-o e ele então, magoado, foi se sentar na copa, como aquele típico maridão que espera a esposa botar a refeição na mesa enquanto tira algumas ceras do ouvido com o dedo mindinho. Ao me ocorrer aquela imagem, senti uma náusea profunda, pensei que talvez eu devesse sair dali e vomitar em cima dele e nunca mais nos encontraríamos. Resolvi que deixaria meus instintos de lado, ainda que estivesse decepcionada com meu lapso de embriaguez que me propiciara uma companhia logo cedo. Servi-me e levei outra xícara para aquele folgado que tentava de todas as formas manter um diálogo que eu não queria de modo algum, escute aqui, meu bem, não tenho disposição alguma pela manhã, se você puder fechar sua boca só um pouco..., eu queria dizer mas não tinha coragem, ao contrário dele, que se comportava como se fôssemos namorados ou qualquer coisa relacionada à qualquer merda de compromisso que eu, definitivamente, não queria ter.
Após algumas goladas no café, resolvi que podia dar-lhe mais atenção, a vergonha pelo degradante já não me pesava tanto nos ombros como quando o vi ao acordar, respondi frases um pouco maiores e consegui olhá-lo nos olhos. Ele queria falar da noite anterior e em como tinha sido legal me conhecer, eu queria dizer exatamente o oposto porque, simplesmente, não podia aceitar que eu pudesse estar na companhia de alguém tão gentil, aliás, eu sempre tive um faro apurado para idiotas. Ele falava, falava, falava e vendo os seus lábios se moverem rapidamente, a única coisa que tinha vontade de fazer era jogar um pires dali mesmo de onde eu estava para quebrar-lhe alguns dentes. De fato, eu deveria ter saído correndo quando tive a chance para depois voltar arrependida, após reaver toda circunstância, e falar do tempo, ou de música, ou de poesia ou de qualquer coisa amena que não dissesse respeito a nós dois.
O meu maior problema é que saio por aí fazendo burrices sem pensar nas consequências e a maioria delas eu realizo embriagada, sem qualquer indício de bom senso, bons modos e escrúpulos, depois fico lamuriando pelos cantos, lamentando pela imbecil que sou. Faço-as feliz como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo, a diferença é que crianças não ganham navalhas. Eu me dou conta de mim mesma e da situação, tento sair fora, mas é tarde demais, tarde o suficiente para eu já as ter manejado sem qualquer habilidade. Gostaria de pegar todos os meus fracassos, trancá-los em uma caixa de concreto, despachá-los para bem longe daqui e sem remetente para não correr o risco de devolução.

Um comentário:

Rudson disse...

Vixi ...
que desventura amorosa heim!
ta de do "ele"
achando que estava agradando, e nao sabia que estava prestes a jogar um pires na testa dele hAUIHuaa
falei que ia ler:P
bakana D+
bejo