segunda-feira, 15 de setembro de 2008

shit

Estranho me lembrar de uma história bizarra da qual fui protagonista há alguns meses atrás, foi um acontecimento tão incrivelmente sem sentido que discorrer sobre essa história ridícula hoje, pareceu-me promissor.
Observei meu avô vindo com seu órgão reprodutor limpinho, me dizendo que a Igreja Católica Apostólica Romana era a única capaz de salvar meu Campo Elétrico Polifásico Intrínseco, mais conhecido pelos não-engenheiros como alma. Olhei-o com desdém. Sentia um desejo insano de urinar em fontes de água benta!
Lembrei-me que era domingo e que, aliás, domingo sempre tivera sido um dia daqueles pra mim: o dia de enfiar-me em uma jaca modificada geneticamente de cem quilos.
Estava absurdamente frio naquela noite e o garoto falava compulsivamente, não ficava quieto de modo algum e quanto mais ele se pronunciava sobre qualquer assunto que não me recordo bem, mais pena sentia dele. Até mesmo porque, nunca tive uma boa impressão do infeliz, na melhor das hipóteses, eu enxergava virtudes nele apenas quando embriagada.
Cale-se idiota, pensei em dizer, saia daqui. Mas não o fiz. O desfecho não podia ter sido pior: que beijo bom é o seu pra cá, que sorriso lindo você tem pra lá. Vê como sou fofa com minhas paixões? Minha boca sempre me prega peças sutis. É o quê me tem acontecido desde quando já nem me lembro mais, talvez desde quando estou sempre metida em roubadas.
Falava enrolado porque estava indesculpavelmente bêbada. Queria logo superar o trajeto e chegar em casa. Mas ir acompanhada era a última coisa que deveria ter feito. A respeito do desfecho, bem amigo, aquele que já era previsível.
Um dia de bebedeira me deixou arruinada e abandonada, minha cara pedia por um murro e meu corpo só queria descansar e dormir o sono dos justos, ou dos mortos, tanto fazia. E se alguém me ligasse, bastaria apenas dizer que eu estava me recuperando de uma pesquisa de campo perigosa.
Enfim a alegria de estar com alguém legal se foi, o que restou foi a rainha dos sorrisos, obviamente quebrada quando vista de perto...